Navio tombado será partido ao meio com carros zero km dentro

O drama do navio tombado com carros zero km, em setembro de 2019, perto do porto de Brunswick, Geórgia – EUA, continua. Em suma, o navio possuía uma carga de 4,2 mil veículos zero quilômetro, avaliados em US$ 80 milhões (em média R$ 428,8 mil — dólar referente ao dia 20/07), e será repartido ao meio.

Dentre os veículos que estão no interior do cargueiro, estão os da marca Kia e Hyundai, que serão destruídos — ainda que não tenham sido danificados ou inundados — para que a embarcação possa ter o seu destino final.

Vamos entender o que aconteceu e qual o futuro do Navio Cargueiro MV Golden Ray.

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Reprodução: NOAA

Navio tombado com carros zero km dentro: o que aconteceu e qual o futuro?

Na madrugada de 8 de setembro do ano passado, 2019, o navio cargueiro MV Golden Ray tombou nas margens de um estreito de St. Simons Sound, próximo ao porto na Geórgia, Estados Unidos.

A transportadora sul-coreana carregava consigo uma vasta quantidade de carros zerados, totalizando quatro mil e duzentos veículos, sendo carros novos da Kia e Hyundai, junto a demais produtos.  O navio tombado tinha como destino o Oriente Médio.

Em medidas, pode-se dizer que o navio tem quase 200 metros de comprimento, pesando 71.118 toneladas brutas e foi construído pela Hyundai Mipo Dockyard, em 2015 e lançado em 2016.

Além das mercadorias, haviam 23 tripulantes a bordo, quatro ficaram desaparecidos — um piloto marítimo e dois engenheiros — e, posteriormente, foram encontrados com vida.

Por que o navio cargueiro tombou?

Ainda em investigação, que está prevista para a conclusão em alguns meses, sabe-se que há as hipóteses de que tenha acontecido um incêndio, segundo o executivo da Hyundai Glovis:

"Houve algum tipo de incêndio interno que não pôde ser controlado e depois virou".

Outra possibilidade levantada foi a falha da tripulação na hora de mexer nas válvulas que enchem o tanque de lastro, tornando o casco instável ou, na hora de fechar o fragmento onde ficam os carros, o acesso não foi bem executado, deixando uma aresta aberta e possibilitando a inundação. Até o fechamento do inquérito, os tripulantes estão sob proibição de comentar o caso.

Qual o destino das partes do navio MV Golden Ray?

Embora não se saiba ao certo o que aconteceu para que o navio tombasse, sustenta-se o fato do que acontecerá agora: a remoção das partes do navio, que virarão sucata.

Embora que isso parta o coração dos fabricantes, já não há mais qualquer resquício de esperança dos veículos saírem intactos: a perda foi total.

O Navio MV Golden Ray é de grande porte e, para que seja possível realizar a sua retirada, será utilizado o catamarã VB-10.000, que cortará em oito pedaços a carcaça, levando junto tudo o que estiver dentro. 

Em uma das perícias, é possível ver que os carros não foram danificados, podendo ser aproveitados e utilizados, mas, pelo tamanho colossal do transporte, é impossível não levar as mercadorias junto. Em uma das observações, nota-se a possibilidade de incêndio, vide que haverá atrito e contato com materiais inflamáveis, como gasolinas e lubrificantes, por exemplo. Após ser “fatiado”, as carcaças desmontadas serão enviadas a um estaleiro. 

A seguradora do Golden Ray, North P&I, estimou que o número bruto de sinistros ultrapassa US$ 400 milhões, tornando-o um dos maiores sinistros já tratados pelo grupo, conforme relata o G Captain.

A embarcação de elevação estava programada para chegar ao local dos destroços em meados de julho. Entretanto, conforme o porta-voz da Guarda Costeira dos EUA, John Miller agora espera-se que a embarcação esteja no local no final de julho, dependendo do clima e de outros fatores. Além disso, grande parte da equipe que trabalha na remoção foi infectada pelo Covid-19, conforme relata o The Maritime Executive.

Para ilustrar:

Animação de como será a remoção do navio. Fonte: Action News Jax.

Imagens do navio MV Golden Ray

Imagens: Reprodução.

Navio tombado com carros zero km dentro: a preocupação com o meio ambiente

Não é só o prejuízo que pode preocupar quem está acompanhando esse drama, um dos pontos a ser ressaltado é que, dois meses depois, o diretor executivo do Altamaha Riverkeeper, organização americana sem fins lucrativos, acompanhou a situação do rio Altamaha, localizado na Geórgia – EUA (próximo ao tombamento), e percebeu uma movimentação estranha. Na água, já havia sido encontrado combustíveis pesados e gás, que eram o alimento do navio, além dos produtos que continham os veículos dentro, como diesel e gasolina.

Embora não tenha causado um desastre ambiental, o sentimento de inquietação volta agora, com a repartição do cargueiro, que poderá voltar a vazar — se não algo pior.

E esse foi mais um momento marcante para os fascinados pelo transporte marítimo. Você se lembra de mais algum tombamento?

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Resumo

Sinara Bueno

Despachante Aduaneira, formada em Comércio Exterior e empreendedora. Apaixonada por criar e inovar no Comex! Trabalhou na área de importação e exportação de indústrias, consultorias de comércio exterior e, nos últimos anos, tem se dedicado aos sistemas para comex.

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