por Leandro Sprenger
A formação do preço na Reforma Tributária: entenda
A Reforma Tributária brasileira representa uma mudança estrutural que vai muito além da substituição de tributos. Para empresas que atuam no Comércio Exterior, ela redefine a lógica de precificação, competitividade e planejamento financeiro. Importar e exportar deixa de ser apenas uma operação logística e passa a exigir inteligência tributária aplicada.
A formação de preços torna-se um elemento estratégico, diretamente conectado à eficiência operacional. Nesse novo cenário, decisões mal estruturadas podem comprometer margens e fluxo de caixa.
Confira os tópicos abordados neste artigo:
- Formação de preços: do operacional ao estratégico
- Comércio Exterior o que é?
- O que é Logística Internacional?
- Separar preço do produto da tributação é essencial
- Alíquota nominal não é custo: o foco deve ser a alíquota efetiva
- O impacto da Reforma Tributária no fluxo de caixa
- Revisão de contratos internacionais e políticas comerciais
- Simulações e cenários como ferramenta decisória
- Impactos distintos por estado, setor e cliente
- Integração entre fiscal, contábil e comércio exterior
- Competitividade global começa no preço correto
- O que é o Siscomex?
Vamos lá? 😉

Formação de preços: do operacional ao estratégico
Tradicionalmente, a formação de preços no Comércio Exterior era influenciada por tributos cumulativos e distorções fiscais. Com a introdução do IBS e da CBS, o foco migra para o valor econômico real do produto ou serviço. O preço passa a refletir custo, margem e estratégia, e não mais a tentativa de compensar ineficiências tributárias.
Essa mudança exige maturidade técnica das áreas de comércio exterior, fiscal e comercial. Quem entender essa lógica primeiro, ganhará vantagem competitiva sustentável.
Separar preço do produto da tributação é essencial
Com a não cumulatividade plena, os tributos passam a ser transparentes e destacados. Para operações de importação e exportação, isso significa separar claramente o preço da mercadoria do impacto tributário.
O valor negociado com fornecedores internacionais deve refletir apenas o custo econômico do bem. Embutir tributos no preço, prática comum no passado, gera distorções e dificulta a recuperação de créditos.
Essa separação é fundamental para contratos internacionais mais equilibrados.
Alíquota nominal não é custo: o foco deve ser a alíquota efetiva
Embora as alíquotas nominais do IBS e da CBS sejam elevadas, o impacto real depende da capacidade de aproveitamento de créditos.
No Comércio Exterior, essa análise é ainda mais sensível, pois envolve regimes aduaneiros, exportações com alíquota zero e importações com direito a crédito amplo.
Trabalhar apenas com a alíquota nominal pode levar a decisões equivocadas de preço. O correto é simular a alíquota efetiva por operação, produto e mercado de destino.
O impacto da Reforma Tributária no fluxo de caixa
Mesmo com neutralidade tributária no longo prazo, o curto prazo pode ser desafiador. No Comércio Exterior, há defasagem entre o pagamento do tributo na importação e o aproveitamento do crédito.
Esse intervalo gera custo financeiro, que precisa ser considerado na formação de preços. Ignorar esse fator compromete o capital de giro e a sustentabilidade da operação.
Empresas mais maduras já estão incluindo o custo do capital e o prazo médio de recuperação dos créditos em seus cálculos.
Revisão de contratos internacionais e políticas comerciais
A Reforma Tributária exige revisão imediata de contratos de longo prazo, especialmente em operações internacionais. Cláusulas de reajuste por mudança tributária e de reequilíbrio econômico-financeiro deixam de ser opcionais.
No Comércio Exterior, contratos sem essas previsões podem gerar prejuízos relevantes.
Além disso, políticas comerciais precisam ser atualizadas para refletir a nova estrutura de custos. A previsibilidade contratual passa a ser um diferencial competitivo.
Simulações e cenários como ferramenta decisória
Antes de definir preços de exportação ou importação, é indispensável simular cenários. Comparar o “antes e depois” da Reforma Tributária permite identificar oportunidades e riscos.
No Comércio Exterior, essas simulações devem considerar diferentes fornecedores, modais logísticos, estados e mercados de destino. Empresas que dominam esse nível de análise conseguem antecipar impactos e ajustar sua estratégia.
A precificação deixa de ser reativa e passa a ser preditiva.
Impactos distintos por estado, setor e cliente
A lógica do destino, trazida pela Reforma Tributária, altera significativamente a carga tributária conforme o local da operação. Para o Comércio Exterior, isso impacta centros de distribuição, operações portuárias e estratégias logísticas.
O mesmo produto pode ter margens diferentes dependendo do estado e do perfil do cliente. Ignorar essas variáveis é perder eficiência. A granularidade da análise passa a ser um requisito, não um diferencial.
Integração entre fiscal, contábil e comércio exterior
A formação de preços nunca foi apenas uma decisão comercial, e agora isso fica ainda mais evidente. Inteligência tributária, dados confiáveis e sistemas integrados tornam-se pilares da operação.
No Comércio Exterior, a falta de integração gera erros em classificação fiscal, aproveitamento de créditos e precificação. Empresas que trabalham de forma integrada conseguem responder mais rápido às mudanças. A tecnologia deixa de ser suporte e passa a ser parte da estratégia.
Competitividade global começa no preço correto
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de impostos, mas uma mudança profunda na lógica de negócios. No Comércio Exterior, ela redefine quem será competitivo no mercado global.
Empresas que ajustarem corretamente sua formação de preços conseguirão melhorar margens, preservar fluxo de caixa e ganhar espaço internacional. Quem ignorar essa transformação ficará exposto a riscos desnecessários.
O momento exige ação técnica, visão estratégica e decisões bem fundamentadas.
O que é o Siscomex?
O SISCOMEX é a sigla de Sistema Integrado de Comércio Exterior - é um instrumento informatizado, por meio do qual é exercido o controle governamental do comércio exterior brasileiro.
O Sistema entrou em operação em 1993 com o módulo de Exportação e, em 1997, para as importações. Em 2014 foi lançado o Portal Único de Comércio Exterior.
Sem dúvida o Brasil inovou ao criar um fluxo único de informações na década de 90. Entretanto uma nova revisão se faz necessária atualmente. Dessa forma, desde 2014 iniciou-se o projeto do Portal Único de Comércio Exterior.
Comércio Exterior o que é?
Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles engloba uma série de procedimentos necessários para a sua execução.
O Comércio Exterior, aplicado carinhosamente como Comex, compreende vários termos, regras e normas nacionais das transações.
Estas regras são de âmbito nacional, criadas para disciplinar e orientar tudo o que diz respeito à entrada no país de mercadorias procedentes do exterior, no caso quando existe uma importação e a saída de mercadorias do território nacional, quando é uma exportação.
O que é Logística Internacional?
A Logística Internacional é uma ferramenta fundamental para a expansão do comércio exterior, e deve ser utilizada de forma estratégica para diferencial competitivo nas negociações internacionais.
A globalização tem tornado as empresas cada vez mais competitivas e com conceitos modernos aos seus procedimentos, negócios e produtos. Esse processo está integralmente ligado aos processos de compra, armazenagem e distribuição das mercadorias.
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O Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex é um instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior.
Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles, engloba uma série de procedimentos.
Logística internacional é o conjunto de atividades de planejamento, execução e controle do fluxo de mercadorias e informações entre diferentes países. Ela abrange desde a movimentação de matérias-primas até a entrega final do produto, incluindo transporte
