por Leandro Sprenger

13 Jan, 2026

Novo marco regulatório do comércio exterior avança para a Câmara: saiba mais

A proposta que institui um novo marco legal para o comércio exterior do Brasil foi aprovada em sessão plenária nesta quarta-feira (17). O foco principal do PL 4.423/2024 é fortalecer a indústria nacional frente à concorrência desleal e simplificar procedimentos operacionais. Com a aprovação, o texto segue agora para apreciação da Câmara dos Deputados.

Quer saber mais a respeito deste assunto envolvendo as mudanças no comércio exterior? Então pegue o seu café e continue conosco neste texto de hoje!

Confira os seguintes tópicos:

  • Mudanças no comex: PL 4423/2024
  • Definições e diretrizes
  • Controle e fiscalização
  • Regimes aduaneiros
  • Defesa da economia nacional
  • Comércio Exterior o que é?
  • O que é Logística Internacional?
  • Regras equilibradas
  • Aduana   

Bora lá? 😉
comércio exterior

Mudanças no comex: PL 4423/2024

A iniciativa atualiza dispositivos ultrapassados do Decreto-Lei 37, de 1966, ao mesmo tempo em que incorpora compromissos internacionais assumidos pelo país junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Entre as alterações mais relevantes está a exigência do uso do Portal Único de Comércio Exterior, que elimina a necessidade de documentos físicos e concentra o recolhimento de tributos e tarifas em um único sistema digital.

Elaborado originalmente na Comissão de Relações Exteriores (CRE), o projeto foi aprovado na forma de um substitutivo apresentado pelo senador Fernando Farias (MDB-AL), relator da matéria.

No parecer, o parlamentar acrescentou dispositivos para assegurar que mercadorias importadas atendam aos mesmos padrões técnicos e regulatórios exigidos dos produtos nacionais, garantindo igualdade de condições e a preservação de postos de trabalho no país.

Outro ponto do texto autoriza o Executivo a adotar instrumentos de defesa comercial contra restrições impostas por outras nações, desde que respeitados os tratados internacionais. Para o relator, essa previsão contribui para o fortalecimento da economia, ao tornar o Brasil mais competitivo e menos exposto a instabilidades externas.

Entre os objetivos adicionais do projeto, destacam-se:

  • ampliar a proteção da indústria brasileira contra práticas ilícitas e concorrência desleal;

  • assegurar tratamento equânime entre bens importados e produzidos internamente; e

  • intensificar a supervisão das operações de importação e exportação.

O relatório preserva a organização do texto original, que reúne a legislação de comércio exterior em quatro partes: normas gerais; controle e fiscalização; regimes aduaneiros; e disposições finais.

Ainda assim, Fernando Farias promoveu ajustes voltados à defesa da economia nacional, como a adoção de mecanismos de proteção ao produtor brasileiro diante de práticas desleais e barreiras comerciais aplicadas por outros países ou blocos econômicos, sempre em conformidade com acordos internacionais.

Outra inovação determina que produtos estrangeiros observem requisitos equivalentes aos exigidos da produção nacional. Segundo o senador, a medida busca assegurar equilíbrio regulatório, proteger empregos, manter a competitividade das empresas instaladas no Brasil e valorizar o cumprimento das leis brasileiras.

Regras equilibradas

O projeto proíbe a chamada “discriminação arbitrária”, isto é, a adoção de tratamentos diferenciados entre produtos ou países sem justificativa objetiva. Um exemplo seria impor exigências mais rigorosas a mercadorias de determinada origem, sem fundamento técnico, enquanto itens similares de outros países seguem regras mais brandas.

O parecer também veta a aplicação de normas comerciais consideradas “injustificadas”. Toda medida deverá estar baseada em motivos legítimos, legais ou técnicos, como proteção sanitária, segurança nacional ou preservação ambiental.

O PL 4.423/2024 estabelece que as regras de controle do comércio exterior sejam implementadas de forma justa, transparente e tecnicamente fundamentada, garantindo o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Brasil na OMC e em outros acordos internacionais.

De acordo com o relator, não deve haver qualquer tipo de “restrição disfarçada ao comércio”, o que, na prática, impede a criação de obstáculos que se apresentem como normas técnicas apenas para dificultar importações ou exportações.

Aduana

Fernando Farias também reforçou os mecanismos de controle aduaneiro e administrativo — que englobam regulação, fiscalização e monitoramento das operações de comércio exterior. Conforme o relator, essas ações visam prevenir fraudes e resguardar:

  • a saúde humana, animal e vegetal;

  • o meio ambiente;

  • os direitos de propriedade intelectual; e

  • a segurança dos consumidores e do país.

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Na avaliação do senador, a proposta contribui para o fortalecimento das relações comerciais do Brasil com outras nações. “Um comércio exterior estruturado permite diversificar as exportações, gerar empregos, ampliar a arrecadação, fortalecer a balança comercial, atrair divisas estrangeiras e, em última análise, reduzir a vulnerabilidade do país diante de crises econômicas internacionais”, afirmou Fernando Farias em seu relatório.

Definições e diretrizes

O que muda

Impacto prático esperado

Definição clara de conceitos do comércio exterior e foco na simplificação e segurança jurídica

Padroniza processos e reduz disputas sobre interpretações

Criação de diretrizes como gestão de riscos, celeridade e transparência

Acelera processos de importação e exportação

Obrigação de uso do Portal Único de Comércio Exterior para envio e recebimento de dados

Elimina duplicidade de documentos e reduz burocracia para empresas

Divulgação obrigatória de normas e exigências em português e inglês

Facilita o acesso de empresas estrangeiras às regras brasileiras

Obrigatoriedade da definição, a pedido, de solução antecipada vinculante

Empresas poderão saber com antecedência como será tratada sua mercadoria

Digitalização de documentos e vedação de exigência de papel

Reduz custos e acelera os trâmites aduaneiros

Cumprimento do Acordo sobre a Facilitação do Comércio da Organização Mundial de Comércio

Simplificação de formalidades e procedimentos


Controle e fiscalização

O que muda

Impacto prático esperado

Fiscalização passa a incluir autorregularização, repressão aduaneira e consolidação de procedimentos

Fiscalização mais eficiente, com menos erros e mais clareza jurídica

Aplicação de gestão de riscos de sonegação e desvios com uso de inteligência artificial

Fiscalização mais eficiente, com menos inspeções desnecessárias

Canal de recebimento de denúncias de riscos e fraudes

Maior proteção contra concorrência desleal e crimes aduaneiros

Consolidação dos procedimentos de despacho aduaneiro

Mais clareza e menos erros no processo de importação/exportação

Liberação parcial da mercadoria em caso de pendência parcial

Evita atrasos no recebimento total de cargas

Entrega antecipada de mercadorias em casos regulamentados

Agiliza a entrada da carga no mercado

Previsão de que a regulamentação da futura lei crie procedimentos para simplificação ou priorização do despacho aduaneiro de importação e de exportação

Menos burocracia, mais eficiência


Regimes aduaneiros

O que muda

Impacto prático

Uniformização e detalhamento dos regimes especiais

Empresas saberão com mais clareza como acessar benefícios fiscais

Inclusão de regimes aduaneiros aplicáveis ao setor de petróleo e gás natural

Maior previsibilidade e segurança para investidores em setores estratégicos

Previsão específica para a Zona Franca de Manaus, as Áreas de Livre Comércio e as Zonas de Processamento de Exportação (ZPE)

Evita conflitos jurídicos e melhora segurança para investidores locais

Atualização dos procedimentos de trânsito aduaneiro

Reduz atrasos e facilita operações logísticas complexas


Defesa da economia nacional

O que muda

Impacto prático esperado

Adoção de medidas de proteção ao produtor nacional contra práticas ilegais ou desleais de outros países 

Maior proteção contra discriminação arbitrária e concorrência desleal

Produto importado deve cumprir requisitos semelhantes aos exigidos da mercadoria produzida no Brasil

Maior proteção contra concorrência desleal

Fonte: Agência Senado

O que é o Siscomex?

SISCOMEX é a sigla de Sistema Integrado de Comércio Exterior - é um instrumento informatizado, por meio do qual é exercido o controle governamental do comércio exterior brasileiro.

O Sistema entrou em operação em 1993 com o módulo de Exportação e, em 1997, para as importações. Em 2014 foi lançado o Portal Único de Comércio Exterior.

Sem dúvida o Brasil inovou ao criar um fluxo único de informações na década de 90. Entretanto uma nova revisão se faz necessária atualmente. Dessa forma, desde 2014 iniciou-se o projeto do Portal Único de Comércio Exterior.

Comércio Exterior o que é?

Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles engloba uma série de procedimentos necessários para a sua execução.

O Comércio Exterior, aplicado carinhosamente como Comex, compreende vários termos, regras e normas nacionais das transações.

Estas regras são de âmbito nacional, criadas para disciplinar  e orientar tudo o que diz respeito à entrada no país de mercadorias procedentes do exterior, no caso quando existe uma importação e a saída de mercadorias do território nacional, quando é uma exportação.

O que é Logística Internacional?

Logística Internacional é uma ferramenta fundamental para a expansão do comércio exterior, e deve ser utilizada de forma estratégica para diferencial competitivo nas negociações internacionais.

globalização tem tornado as empresas cada vez mais competitivas e com conceitos modernos aos seus procedimentos, negócios e produtos. Esse processo está integralmente ligado aos processos de compra, armazenagem e distribuição das mercadorias.

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O Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex é um instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior.

Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles, engloba uma série de procedimentos.

Logística internacional é o conjunto de atividades de planejamento, execução e controle do fluxo de mercadorias e informações entre diferentes países. Ela abrange desde a movimentação de matérias-primas até a entrega final do produto, incluindo transporte

Webinário - Como elaborar e automatizar a DU-E na prática