por Leandro Sprenger
Governo brasileiro admite negociar cotas de exportação com os EUA após tarifas Americanas: saiba mais
Semanas após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Kuala Lumpur, e sem progresso nas conversações, negociadores brasileiros reconhecem que, caso não seja viável uma isenção integral para os produtos nacionais frente ao “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, poderão surgir concessões por setor.
Quer saber mais a respeito deste assunto envolvendo o tarifaço dos Estados Unidos? Então pegue o seu café e continue conosco neste texto de hoje!
Confira os seguintes tópicos:
- Possível adoção de cotas para commodities
- Foco na suspensão total, mas há disposição para negociar
- Setores prioritários nas negociações
- Missão diplomática e expectativa de avanço
- Planos A e B do Brasil nas negociações
- Exemplo específico: café
- Disputa entre setores pelos benefícios
- Visão da Abiec
- O etanol em questão
- Posição da CNI
- O que é o Siscomex?
- Comércio Exterior o que é?
- O que é Logística Internacional?
Bora lá? 😉

Possível adoção de cotas para commodities
Essa estratégia contemplaria, por exemplo, a adoção de cotas para commodities que tiveram alta nos preços no mercado estadunidense após a aplicação da tarifa de 50%. Por outro lado, o setor industrial rejeita a negociação segmentada, o que já provoca uma disputa velada entre os diferentes ramos produtivos.
Nesta quarta-feira, o “tarifaço de Trump” terá uma audiência decisiva na Suprema Corte, e o presidente americano já comunicou que não comparecerá.
Foco na suspensão total, mas há disposição para negociar
Um dos integrantes do governo brasileiro no encontro com Trump na Malásia, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Márcio Elias Rosa, reiterou que o objetivo principal continua sendo a retenção da suspensão completa do imposto adicional, porém admitiu a chance de negociar tarifas menores para um volume determinado de alguns produtos.
“Reclamamos sobre a tarifa a produtos como o café porque tem grande impacto (inflacionário) lá. O nosso argumento é que uma medida de redução da tarifa beneficiaria os próprios americanos. Se essa redução vai ser por meio de cota ou não, a negociação é que vai determinar. Pode ser um caminho, desde que a cota tenha dimensão suficiente para o que já exportávamos”, disse Rosa.
Setores prioritários nas negociações
Entre os ramos ainda não atendidos pelas isenções já concedidas, encontram-se alguns que figuram entre os mais relevantes na pauta de exportações brasileiras aos EUA, como carne bovina, café, máquinas e equipamentos.
Missão diplomática e expectativa de avanço
O governo brasileiro espera o retorno da comitiva de Trump que se deslocou à Ásia para negociar com a China a fim de dar prosseguimento aos trâmites, e há expectativa de uma missão oficial do chanceler Mauro Vieira e do vice-presidente Geraldo Alckmin para Washington nos próximos dias.
Planos A e B do Brasil nas negociações
Entre empresários e dirigentes de entidades setoriais ouvidos pela imprensa, há a leitura de que o Plano A do governo, buscar uma trégua temporária ao tarifaço enquanto perduram as negociações comerciais, ainda não obteve qualquer sinalização positiva dos Estados Unidos. O Plano B, citado por Alckmin a empresários, é procurar a ampliação das isenções por setor.
Exemplo específico: café
Marcos Antônio Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), afirma que o setor também defende a suspensão generalizada das alíquotas por 90 dias, mas salienta que, alternativamente, pleiteia que “o café seja removido da ordem executiva dada por Trump em 5 de setembro junto com alguns outros produtos de necessidade americana para entrarem na lista de exceções ao tarifaço”.
“Não foram mencionadas cotas nas nossas conversas, o foco foi na excepcionalidade do café, porque nosso produto é evidentemente necessário no mercado e na economia americana.”
O setor exportou 8,1 milhões de sacas aos EUA em 2024, e uma cota, segundo alguém familiarizado com o setor, deveria abranger ao menos 9 milhões de sacas.
Disputa entre setores pelos benefícios
Um industrial confidenciou que já existe uma disputa oculta entre os setores para liderar as isenções setoriais. Entre os mais articulados estão os dos cafés e carnes bovinas, que atuam tanto junto ao governo brasileiro quanto à burocracia do governo Trump, com apoio de importadores americanos.
O empresário Joesley Batista, do grupo de controle da J&F Investimentos, e executivos da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) participaram da viagem de Lula ao Sudeste Asiático e tentam contrapor-se à resistência de produtores americanos de estados do Meio-Oeste contra uma isenção ao tarifaço para a carne brasileira.
Visão da Abiec
Procurada, a Abiec afirmou acreditar em um “entendimento” entre os dois países que “possa preservar a competitividade do produto brasileiro, garantir previsibilidade aos exportadores e ampliar a presença da carne bovina nacional no mercado norte-americano, segundo maior comprador do Brasil e importante destino para o setor”.
O etanol em questão
De modo reservado, empresários e entidades setoriais vêm defendendo que o Brasil leve à mesa de negociação concessões ao pleito americano de reduzir tarifas ao etanol dos EUA, mas essa proposta esbarra na resistência do setor sucroalcooleiro e do próprio MDIC.
Um dos pedidos levados por setores afetados pelo tarifaço ao governo brasileiro é que o país reative uma cota com isenção tarifária para a exportação do item. A cota existiu até 2020 e previa isenção para 600 milhões de litros por ano; a partir desse volume a tarifa subia.
Hoje o Brasil importa etanol americano, derivado do milho, quando a demanda interna é alta e a produção local não supre. Os EUA reclamam que a taxação brasileira sobre o produto, de 18%, é elevada; os EUA taxam em 2,5% o etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar. Os dois países são os maiores produtores do mundo, o Brasil em segundo lugar.
Membros da equipe que negocia o tarifaço, porém, afirmam que os americanos não tocaram no tema do etanol nas últimas conversas, apesar de historicamente ser um setor relevante para eles. A tarifa de importação cobrada pelo Brasil ao etanol anidro consta na investigação aberta pelo United States Trade Representative (USTR) nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Elias Rosa nega que o MDIC trate do tema das cotas para etanol no momento e afirma que uma proposta desse tipo não partirá do Ministério.
Posição da CNI
O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Ricardo Alban, declara-se contrário a uma negociação feita setor a setor porque, segundo ele, essa medida resolveria o problema apenas para os produtos com impacto direto na inflação americana, por exemplo, commodities cujos preços subiram no mercado interno dos EUA em decorrência do tarifaço.
Setores igualmente atingidos pela tarifa de 50%, mas sem a mesma capacidade de pressão ou impacto inflacionário nos EUA, alerta Alban, tenderiam a ficar para trás, como o caso dos calçados ou da indústria têxtil.
“Quanto ao etanol, houve cota de isenção até a época da pandemia e os americanos não exportavam para o Brasil, mesmo com esse benefício”, argumenta.
O que é o Siscomex?
O SISCOMEX é a sigla de Sistema Integrado de Comércio Exterior - é um instrumento informatizado, por meio do qual é exercido o controle governamental do comércio exterior brasileiro.
O Sistema entrou em operação em 1993 com o módulo de Exportação e, em 1997, para as importações. Em 2014 foi lançado o Portal Único de Comércio Exterior.
Sem dúvida o Brasil inovou ao criar um fluxo único de informações na década de 90. Entretanto uma nova revisão se faz necessária atualmente. Dessa forma, desde 2014 iniciou-se o projeto do Portal Único de Comércio Exterior.
Comércio Exterior o que é?
Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles engloba uma série de procedimentos necessários para a sua execução.
O Comércio Exterior, aplicado carinhosamente como Comex, compreende vários termos, regras e normas nacionais das transações.
Estas regras do comércio exterior são de âmbito nacional, criadas para disciplinar e orientar tudo o que diz respeito à entrada no país de mercadorias procedentes do exterior, no caso quando existe uma importação e a saída de mercadorias do território nacional, quando é uma exportação.
O que é Logística Internacional?
Agora que já falamos de maneira mais aprofundada sobre o que é Comércio Exterior, vamos entender mais sobre o que é a logística internacional. A Logística Internacional é uma ferramenta fundamental para a expansão do comércio exterior, e deve ser utilizada de forma estratégica para diferencial competitivo nas negociações internacionais.
A globalização tem tornado as empresas cada vez mais competitivas e com conceitos modernos aos seus procedimentos, negócios e produtos. Esse processo está integralmente ligado aos processos de compra, armazenagem e distribuição das mercadorias.
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O Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex é um instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior.
O Novo Processo de Exportação é uma das mudanças mais importantes implementadas pelo Portal Único Siscomex e principal iniciativa governamental de desburocratização e facilitação do comércio exterior brasileiro.
Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles, engloba uma série de procedimentos.
A Logística Internacional é uma ferramenta fundamental para a expansão do comércio exterior, e deve ser utilizada de forma estratégica para diferencial competitivo nas negociações internacionais.
