por Leandro Sprenger
Queda do comércio agroexportador brasileiro com a Venezuela durante a gestão Maduro: entenda mais
O fluxo de exportações agropecuárias do Brasil com destino à Venezuela apresentou uma trajetória claramente descendente ao longo dos anos em que o país esteve sob a administração de Nicolás Maduro. Informações consolidadas pelo sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária, indicam perda consistente tanto em volume embarcado quanto em valor financeiro, além de uma redução significativa na variedade de produtos comercializados.
Desde 2013, observa-se um enfraquecimento gradual das vendas externas do agronegócio brasileiro para o mercado venezuelano.
Naquele ano, o Brasil exportou aproximadamente US$ 2,63 bilhões, correspondentes a 1,54 milhão de toneladas. A partir de 2014, inicia-se um movimento de retração que se intensifica em 2015, afetando especialmente os principais segmentos da pauta bilateral.
Nos anos seguintes, mesmo com episódios pontuais de recuperação, o comércio permaneceu em patamares reduzidos, sem retomar os níveis registrados no início da década.
Em 2025, considerando o intervalo entre janeiro e novembro, as exportações somaram US$ 513,5 milhões, com um volume aproximado de 948 mil toneladas, evidenciando a distância em relação ao desempenho histórico.
Vamos saber mais sobre este assunto envolvendo as exportações para a Venezuela? Então pegue o seu café e continue conosco neste texto de hoje!
Confira os seguintes tópicos:
- Segmentos mais impactados
- Segmentos que mantiveram algum fluxo
- Exportações de produtos agro do Brasil para a Venezuela
- Importações agrícolas: fluxo reduzido e pouco diversificado
- Novo Processo de Exportação: o que é?
- O que é o Siscomex?
- Comércio Exterior o que é?
- O que é Logística Internacional?
Bora lá? 😉
Segmentos mais impactados
A retração foi mais intensa justamente nos setores que concentravam grande parte das vendas ao mercado venezuelano.
O caso mais emblemático é o de animais vivos (exceto pescados): em 2013, esse grupo alcançava US$ 554,8 milhões, com 234,4 mil toneladas, enquanto em 2025 o resultado caiu para US$ 9,5 milhões e menos de 700 toneladas.
O segmento de carnes, que figurava entre os principais produtos exportados em 2013, com US$ 1,22 bilhão e 329 mil toneladas, passou por forte retração já a partir de 2014.
Esse movimento se aprofundou nos anos seguintes, e os embarques encerraram 2025 em níveis bastante reduzidos, totalizando cerca de US$ 1,1 milhão e 600 toneladas.
Além disso, itens que tinham presença relevante no início do período, como sucos, derivados de cacau, oleaginosas (exceto soja) e alimentos industrializados, passaram a aparecer de forma esporádica ou residual.
Esse comportamento resultou em uma pauta exportadora mais concentrada e menos diversificada.
Segmentos que mantiveram algum fluxo
Entre os grupos que conseguiram preservar certa regularidade, ainda que em escala inferior, destacam-se as bebidas. As exportações desse segmento recuaram de US$ 193,7 milhões e 5,6 mil toneladas, em 2013, para US$ 44,8 milhões e 3,8 mil toneladas em 2025.
Os produtos florestais também apresentaram queda, passando de US$ 112 milhões e 88,9 mil toneladas para US$ 36,5 milhões e 39,2 mil toneladas no mesmo intervalo. Apesar da retração, esse grupo manteve volumes relativamente mais elevados quando comparado às proteínas animais.
Por outro lado, o conjunto de produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos destoou da tendência geral.
As exportações cresceram de US$ 1,1 milhão e 1,2 mil toneladas, em 2013, para US$ 15,1 milhões e 17,5 mil toneladas em 2025, ampliando gradualmente sua participação na pauta brasileira destinada à Venezuela.
Exportações de produtos agro do Brasil para a Venezuela
| Produto / Segmento | 2013 Volume (t) | 2013 Valor (US$ milhões) | 2019 Volume (t) | 2019 Valor (US$ milhões) | 2025 Volume (t) | 2025 Valor (US$ milhões) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Carnes | 329.000 | 1.220 | 1.200 | 2,1 | 600 | 1,1 |
| Animais vivos (exceto pescado) | 234.400 | 554,8 | 0 | 0 | 700 | 9,5 |
| Bebidas | 5.600 | 193,7 | 2.400 | 28,9 | 3.800 | 44,8 |
| Produtos florestais | 88.900 | 112 | 33.400 | 30,7 | 39.200 | 36,5 |
| Produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos | 1.200 | 1,1 | 12.100 | 10,4 | 17.500 | 15,1 |
Importações agrícolas: fluxo reduzido e pouco diversificado
As compras brasileiras de produtos agropecuários provenientes da Venezuela sempre ocorreram em volumes modestos e com forte oscilação anual, geralmente associadas a operações pontuais.
Não há indícios de uma tendência estrutural de expansão, mas sim alternância entre períodos de maior e menor movimento, restritos a poucos itens.
O segmento de cacau e seus derivados aparece de forma recorrente como o principal produto importado, respondendo pela maior parte do valor nos anos de maior fluxo. Em diversos períodos, esse grupo concentrou praticamente a totalidade das importações agrícolas.
Outros itens, como bebidas, produtos hortícolas e categorias agrícolas específicas, surgiram apenas de maneira esporádica, com valores pouco expressivos. Vários segmentos permaneceram sem registros por longos intervalos, reforçando a baixa diversificação da pauta importadora.
Em 2013, as importações totalizaram apenas US$ 8,9 mil. Já em 2014 e 2015, houve aumentos pontuais, com valores de US$ 500,1 mil e US$ 617,1 mil, respectivamente.
Entre 2016 e 2019, os desembarques oscilaram dentro de uma faixa relativamente estável, entre US$ 478 mil e US$ 575 mil ao ano.
A partir de 2020, os dados indicam novas elevações. Em 2021 e 2022, o valor importado superou US$ 1 milhão, atingindo cerca de US$ 1,57 milhão em 2024, o maior nível desde 2013.
Já em 2025, as importações voltaram a recuar, somando US$ 526,6 mil, com volume equivalente a 526,6 toneladas.
Novo Processo de Exportação: o que é?
Atualmente, existem diferentes frentes de trabalho dentro do Programa Portal Único, envolvendo todo o governo brasileiro e contando com apoio e participação do setor privado.
Dentre essas iniciativas, merece destaque o desenvolvimento do Novo Processo de Exportação, concluído em 2016.
Esse trabalho engloba o mapeamento dos processos atuais de exportação e a identificação de necessidades dos intervenientes públicos e privados para a criação de um fluxo contínuo de informações por meio do Portal Único.
Ou seja, podemos concluir que o Novo Processo de Exportação (NPE) promove um fluxo de informações mais eficiente e integração entre os intervenientes do comércio exterior públicos e privados.
Sua implementação se deu junto ao Portal Único do Comércio Exterior, Siscomex, pela Receita Federal Brasileira em conjunto ao SECEX e desde então vem otimizando os processos de comércio exterior, seja diminuindo o tempo necessário entre as etapas, como também reduzindo custos inerentes às operações, o que aumenta a competitividade brasileira frente ao mercado externo.
O que é o Siscomex?
O SISCOMEX é a sigla de Sistema Integrado de Comércio Exterior - é um instrumento informatizado, por meio do qual é exercido o controle governamental do comércio exterior brasileiro.
O Sistema entrou em operação em 1993 com o módulo de Exportação e, em 1997, para as importações. Em 2014 foi lançado o Portal Único de Comércio Exterior.
Sem dúvida o Brasil inovou ao criar um fluxo único de informações na década de 90. Entretanto uma nova revisão se faz necessária atualmente. Dessa forma, desde 2014 iniciou-se o projeto do Portal Único de Comércio Exterior.
Comércio Exterior o que é?
Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles engloba uma série de procedimentos necessários para a sua execução.
O Comércio Exterior, aplicado carinhosamente como Comex, compreende vários termos, regras e normas nacionais das transações.
Estas regras do comércio exterior são de âmbito nacional, criadas para disciplinar e orientar tudo o que diz respeito à entrada no país de mercadorias procedentes do exterior, no caso quando existe uma importação e a saída de mercadorias do território nacional, quando é uma exportação.
O que é Logística Internacional?
Agora que já falamos de maneira mais aprofundada sobre o que é Comércio Exterior, vamos entender mais sobre o que é a logística internacional. A Logística Internacional é uma ferramenta fundamental para a expansão do comércio exterior, e deve ser utilizada de forma estratégica para diferencial competitivo nas negociações internacionais.
A globalização tem tornado as empresas cada vez mais competitivas e com conceitos modernos aos seus procedimentos, negócios e produtos. Esse processo está integralmente ligado aos processos de compra, armazenagem e distribuição das mercadorias.
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O Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex é um instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior.
Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles, engloba uma série de procedimentos.
Logística internacional é o conjunto de atividades de planejamento, execução e controle do fluxo de mercadorias e informações entre diferentes países. Ela abrange desde a movimentação de matérias-primas até a entrega final do produto, incluindo transporte
O Novo Processo de Exportação (NPE) promove um fluxo de informações mais eficiente e integração entre os intervenientes do comércio exterior públicos e privados. Sua implementação se deu junto ao Portal Único do Comércio Exterior, Siscomex e pela RFB.
