por Leandro Sprenger
Tributação de importação após a Reforma Tributária | Entendimento completo para o Comércio Exterior
A Reforma Tributária (LC 214/2025) traz transformações profundas na forma como as importações são tributadas no Brasil, deixando de ser uma simples “troca de siglas” e passando a operar com base em princípios mais amplos.
Para quem atua no comércio exterior, entender essas mudanças é imperativo, pois elas afetam diretamente os custos, a competitividade e a estratégia de importação como um todo.
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Confira os seguintes tópicos:
- Tributos Mantidos na Importação
- O Fim das Siglas Ancorares
- O que Passa a Integrar a Base Tributável
- Impacto da Capatazia e da Taxa SISCOMEX
- Crédito Tributário na Importação
- Estratégias e Competitividade
- O Desafio da Precificação
- Planejamento como Diferencial Competitivo
- O que é o Siscomex?
- Comércio Exterior o que é?
- O que é Logística Internacional?
Vamos lá? 😉

Antes da reforma, a tributação sobre importações estava fragmentada em diversos tributos específicos: PIS-Importação, COFINS-Importação, ICMS-Importação e IPI-Importação.
Cada um deles operava com regras próprias, gerando complexidade, possíveis distorções regionais e impacto direto no custo final da mercadoria. Com a nova sistemática, esses tributos foram substituídos por regimes mais amplos, padronizados e integrados.
Tributos Mantidos na Importação
Alguns tributos continuam existindo, mas com funções mais claras dentro do novo sistema.
O Imposto de Importação (II) permanece como tributo extrafiscal, sem geração de crédito, mantendo sua função regulatória sobre o comércio exterior.
Além disso, o AFRMM (Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante) continua a ser exigido, mas não integra as bases de IBS/CBS, incidindo apenas sobre o transporte aquaviário internacional.
O Fim das Siglas Ancorares
No sistema atual, PIS-Importação, COFINS-Importação, ICMS-Importação e IPI-Importação são substituídos por:
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CBS (no lugar de PIS e COFINS)
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IBS (no lugar de ICMS)
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IS – Imposto Seletivo (quando aplicável)
Essa unificação cria uma base tributária mais uniforme, reduzindo a complexidade e promovendo neutralidade na competitividade entre produtos nacionais e importados.
O que Passa a Integrar a Base Tributável
A grande novidade é o conceito de base ampla de tributação na importação. A base de cálculo do IBS e da CBS agora inclui:
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Valor aduaneiro (de acordo com o Acordo GATT)
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Imposto de Importação
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Impostos específicos (como o IS, quando aplicável)
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AFRMM (quando incidente)
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Capatazia
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Taxa SISCOMEX
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Outras despesas aduaneiras vinculadas ao desembaraço
Antes da reforma, muitos desses componentes não integravam a base tributável-o que pode significar um aumento significativo do montante sujeito aos tributos.
Custos portuários e de movimentação de carga integram formalmente a base tributável, consolidando um entendimento que já vinha sendo aplicado na prática, mas agora com respaldo legal expresso.
Impacto da Capatazia e da Taxa SISCOMEX
A capatazia, agora expressamente incorporada à base, deixa de ser um custo de logística isolado e passa a compor a base tributável total dos novos tributos. Isso eleva a base tributável e, por consequência, o valor final do imposto a pagar nas operações de importação.
A Taxa SISCOMEX permanece exigível e sua natureza administrativa não muda, mas ela passa, agora, a compor as bases do CBS e do IBS, afetando diretamente o custo do desembaraço aduaneiro.
Crédito Tributário na Importação
Uma mudança estratégica e de enorme impacto financeiro é que IBS e CBS pagos na importação geram crédito financeiro integral. Diferente do modelo anterior, em que a tributação na importação era um “custo morto”, sem possibilidade de recuperação, o novo regime permite:
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Crédito amplo e não cumulativo
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Compensação nas operações subsequentes
Isso significa que importar deixa de ser apenas um custo e passa a ser um ativo fiscal estratégico, capaz de gerar valor financeiro para a empresa quando corretamente planejado.
Estratégias e Competitividade
Com um sistema mais transparente, base ampliada e padronizada, e crédito efetivo, a Reforma Tributária transforma radicalmente a operação de importação. As empresas agora ganham:
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Maior previsibilidade jurídica
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Menos distorções regionais
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Mais transparência tributária
No entanto, esse novo cenário exige atenção redobrada à classificação fiscal, elaboração de contratos logísticos e formação de preços. Quem não ajustar esses pontos está sujeito a perder margem de lucro ou sofrer impactos negativos na competitividade.
O Desafio da Precificação
A inclusão de custos como capatazia e taxa SISCOMEX na base tributável amplia o custo total de importação, e isso precisa ser refletido nas estratégias de pricing.
A precificação que não considerar esses elementos pode prejudicar a margem e inviabilizar operações. Portanto, a revisão dos modelos de custo passa a ser uma prática essencial.
Planejamento como Diferencial Competitivo
Empresas que incorporarem cedo esse novo entendimento estarão à frente no mercado. A correta utilização do crédito tributário, aliada à gestão eficiente de custos logísticos, pode transformar a importação em vantagem competitiva sustentável, reduzindo o ciclo financeiro e melhorando a performance global da operação.
Ou seja, a Reforma Tributária não apenas reformula a maneira como os tributos incidem sobre a importação — ela reinventa o papel da importação no Brasil.
De um processo tradicionalmente oneroso e rígido, ela transforma a importação em uma operação estratégica, transparente e financeiramente inteligente.
Se sua empresa atua com importações, este é o momento de atualizar seus processos, revisar seus modelos de custo e fortalecer sua estratégia tributária para aproveitar as mudanças de forma eficaz.
O que é o Siscomex?
O SISCOMEX é a sigla de Sistema Integrado de Comércio Exterior - é um instrumento informatizado, por meio do qual é exercido o controle governamental do comércio exterior brasileiro.
O Sistema entrou em operação em 1993 com o módulo de Exportação e, em 1997, para as importações. Em 2014 foi lançado o Portal Único de Comércio Exterior.
Sem dúvida o Brasil inovou ao criar um fluxo único de informações na década de 90. Entretanto uma nova revisão se faz necessária atualmente. Dessa forma, desde 2014 iniciou-se o projeto do Portal Único de Comércio Exterior.
Comércio Exterior o que é?
Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles engloba uma série de procedimentos necessários para a sua execução.
O Comércio Exterior, aplicado carinhosamente como Comex, compreende vários termos, regras e normas nacionais das transações.
Estas regras são de âmbito nacional, criadas para disciplinar e orientar tudo o que diz respeito à entrada no país de mercadorias procedentes do exterior, no caso quando existe uma importação e a saída de mercadorias do território nacional, quando é uma exportação.
O que é Logística Internacional?
A Logística Internacional é uma ferramenta fundamental para a expansão do comércio exterior, e deve ser utilizada de forma estratégica para diferencial competitivo nas negociações internacionais.
A globalização tem tornado as empresas cada vez mais competitivas e com conceitos modernos aos seus procedimentos, negócios e produtos. Esse processo está integralmente ligado aos processos de compra, armazenagem e distribuição das mercadorias.
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O Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex é um instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior.
Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles, engloba uma série de procedimentos.
Logística internacional é o conjunto de atividades de planejamento, execução e controle do fluxo de mercadorias e informações entre diferentes países. Ela abrange desde a movimentação de matérias-primas até a entrega final do produto, incluindo transporte
O IBS e a CBS são os dois tributos que substituirão uma série de impostos atuais que, hoje, tornam o sistema brasileiro mais complexo, custoso e difícil de administrar.
O Novo Processo de Importação (NPI) é um projeto coordenado pelo Governo Federal que tem como propósito modernizar, digitalizar e integrar as etapas relacionadas à entrada de produtos no Brasil.


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