Falta de contêineres: quando acabará a Peak Season?

Assim como em diversas outras atividades, a pandemia do Coronavírus está impactando fortemente o transporte marítimo internacional, ocasionando a falta de contêineres e nos fazendo questionar quando acabará a Peak Season. Vamos entender melhor as causas desse problema? 😉

Covid-19: os impactos da pandemia permanecem

Apesar de já estarmos no final de 2020, os impactos da pandemia permanecem tendo reflexo no comércio exterior, principalmente em relação à falta de contêineres na Ásia. Isso tem afetado tanto a importação quanto a exportação já que, com a baixa oferta, os valores de frete aumentaram substancialmente. 

Tudo começou no final de janeiro com a parada nos embarques a partir da China provocada pelo ano novo chinês seguida do novo coronavírus, e isso acabou dando um nó na logística do transporte marítimo mundial.

Como sabemos, o início da pandemia teve seu epicentro na China. Com a propagação da Covid-19 para outros países, foram instaurados lockdowns para conter o avanço do vírus, o que afetou demasiadamente as atividades econômicas em todo o mundo. Dessa forma, muitos contêineres ficaram parados nos portos asiáticos, já que a produção foi diminuída consideravelmente e, assim sendo, não havia o que ser exportado dada a baixa produção e o enfraquecimento de pedidos do restante do mundo. Tudo isso somado levou a estagnação do comércio internacional como um todo, uma vez que a China é o maior player do mercado em volume.

Num primeiro momento, esse cenário gerou uma queda na demanda de transporte tendo em vista que compradores e vendedores estavam praticamente parados. As estratégias de enfrentamento da pandemia pelos países não foram uniformes, cada nação instituiu o método que acreditava ser mais eficiente para equilibrar o setor econômico, e claramente isso causou discrepâncias no aumento de casos, com países tendo quarentena de alguns meses e outros ainda enfrentando aumentos expressivos de casos. 

A assimétrica retomada das atividades

O fato dos países asiáticos já terem passado por algumas gripes (bem) menos severas criou nas pessoas o hábito do uso de máscaras. Na China, esse fato aliado a uma política autoritária de lockdown, impedindo que pessoas saíssem às ruas, resultou numa quarentena bem rápida. Dessa forma, já no meio de 2020 o país retomava suas atividades econômicas quase que plenamente. Com a produção chinesa aumentando, a quantidade de contêineres disponíveis foi rapidamente preenchida e enviada para o mundo, o qual não se encontrava no mesmo ritmo econômico para dar sequência a esse ciclo de compra e venda internacional. Em suma, os países foram saindo de suas quarentenas em momentos diferentes, gerando uma retomada econômica mundial de forma não linear.

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A “tempestade perfeita”

A pandemia diminuiu drasticamente o trânsito internacional de pessoas, levando a suspensão de diversos voos já que muitos países chegaram a fechar suas fronteiras. Diferentemente do transporte marítimo, que conta com navios exclusivamente cargueiros, o modal aéreo realiza o transporte das mercadorias predominantemente na barriga da aeronave de passageiros. Normalmente os aviões cargueiros transportam mercadorias que os de passageiros não carregam, tais como cargas extremamente pesadas, cargas IMO etc. Dessa forma, a falta de voos levou a escassez de frete aéreo, impactando ainda mais a demanda pelo frete marítimo e, assim sendo, a procura por contêineres.

Para completar a “tempestade perfeita”, temos ainda a considerar um agravante já que em setembro, outros players gigantes como Estados Unidos e Canadá começaram as importações visando as compras de fim de ano, fazendo a demanda explodir e consumindo toda oferta de contêineres disponíveis, sem tempo suficiente para a reposição.

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Falta de contêineres: quando acabará a Peak Season?

A Peak Season já dura alguns meses e, segundo as previsões mais otimistas, a alta demanda tende a permanecer até março de 2021. As previsões pessimistas dizem que vai até o meio do ano a depender da vacinação, a qual também deve ocorrer de forma assíncrona. A falta de contêineres foi agravada com as mudanças nos hábitos de compra ao redor do mundo devido à pandemia. Dessa forma, vários avisos de congestionamentos de portos estão surgindo em todos os continentes.

Na China, os Armadores estão cobrando um PSS (Peak Season Surcharge) entre US$ 300 e US$ 450 por contêiner e passaram a adotar medidas restritivas para cancelamentos e alterações de reservas.

O atual desenvolvimento da economia e do comércio mundial e a operação da cadeia de suprimentos foram afetados e desafiados por fatores sem precedentes e os Armadores continuam procurando soluções. 

Particularmente na China, temos outros fatores agravantes:

  • Os navios e contêineres que entram na China estão passando por uma inspeção e quarentena de atracação nos portos, e essa operação pode levar mais tempo para ser concluída. 
  • O congestionamento nos portos chineses têm provocado instabilidade e atraso em todas as rotas. Atracações e partidas de navios têm acontecido fora da estimativa.
  • As reservas de exportação nos portos chineses enfrentam problemas de cancelamentos e atrasos de embarques, devido à falta de contêineres.

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Resumo

Sinara Bueno

Despachante Aduaneira, formada em Comércio Exterior e empreendedora. Apaixonada por criar e inovar no Comex! Trabalhou na área de importação e exportação de indústrias, consultorias de comércio exterior e, nos últimos anos, tem se dedicado aos sistemas para comex. É co-founder da Fazcomex Tecnologia para comércio exterior.

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