por Leandro Sprenger

02 Apr, 2026

Como o bloqueio do Estreito de Ormuz pode impactar as exportações do Brasil: entenda

O possível fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, que declarou ter impedido a passagem de navios sob ameaça de ataques no conflito envolvendo Estados Unidos e Israel, levanta preocupações para o comércio internacional. Essa passagem marítima é considerada uma das mais relevantes do planeta para o transporte de petróleo e gás.

No entanto, não são apenas combustíveis que dependem desse corredor.

Diversas outras commodities também utilizam a rota que conecta o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico, incluindo uma parcela significativa de produtos exportados pelo Brasil destinados a nações árabes.

Quer saber mais  a respeito da guerra no Irã e o Estreito de Ormuz? então pegue o seu café e continue conosco neste texto de hoje!

Confira os seguintes tópicos:

  • A importância da rota para o comércio global
  • Produtos brasileiros mais afetados
  • Impacto logístico nas exportações
  • Fretes mais caros e risco de falta de contêineres
  • Redução drástica no tráfego marítimo
  • Seguradoras discutem apoio ao transporte
  • Aviação também sofre impactos
  • O que é o Estreito de Ormuz?
  • Novo Processo de Exportação: O que é?
  • O que é o Siscomex?
  • Comércio Exterior o que é?
  • O que é Logística Internacional?

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Estreito de Ormuz

A importância da rota para o comércio global

De acordo com dados da consultoria MTM Logix, que acompanha operações de transporte marítimo internacional, cerca de 20% do petróleo mundial atravessa o Estreito de Ormuz.

Além disso, aproximadamente 25% dos fertilizantes e 35% dos produtos químicos e plásticos comercializados globalmente passam pela região.

O fluxo inclui ainda 15% de todos os grãos negociados no planeta, cuja maior parte segue para países localizados ao redor do Golfo Pérsico.

Produtos brasileiros mais afetados

No caso do Brasil, os impactos mais relevantes recaem principalmente sobre os segmentos de proteína animal e madeira.

Um levantamento realizado pela consultoria Datamar aponta que, no ano passado, 158.300 contêineres deixaram portos brasileiros com destino a Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque e Kuwait.

Essas sete nações estão situadas ao redor do Golfo Pérsico, o que torna obrigatória a travessia pelo Estreito de Ormuz para qualquer navio que tenha um desses países como destino.

Entre os contêineres embarcados, cerca de 67,9% continham proteína animal, especialmente carne de frango. Em seguida aparecem produtos de madeira (13,4%) e papel (2,8%).

Impacto logístico nas exportações

O volume transportado para esses mercados representou 4,87% de todas as exportações marítimas brasileiras no último ano. Em algumas categorias, porém, a dependência é ainda maior.

No caso da proteína animal, por exemplo, 14,8% das exportações brasileiras tiveram como destino esses países. Quando se observa especificamente o frango, a participação chega a 23,4%.

Segundo Andrew Lorimer, diretor-executivo da Datamar, a quantidade de cargas transportadas em contêineres que atravessa o Estreito de Ormuz é expressiva.

Ele ressalta que qualquer bloqueio ou interrupção na circulação de embarcações na área provoca um forte impacto logístico e energético em escala mundial, cujas consequências ainda precisam ser calculadas, especialmente nos preços do petróleo e do frete marítimo.

Fretes mais caros e risco de falta de contêineres

Lorimer destaca que o cenário atual é marcado por grande incerteza. Já é possível observar aumentos no custo do transporte marítimo, com empresas de navegação aplicando taxas extras relacionadas ao risco de guerra para cargas destinadas à região.

Essas cobranças adicionais variam entre US$ 2 mil e US$ 4 mil por contêiner.

Outro problema potencial é a escassez de contêineres, causada pelo aumento no tempo de viagem e pelas dificuldades operacionais provocadas pelo conflito.

Redução drástica no tráfego marítimo

Desde o último sábado, quando os confrontos militares se intensificaram, o fluxo de embarcações no estreito caiu de forma acentuada. Na terça-feira, a gigante chinesa de transporte de petróleo Cosco informou que suspendeu suas operações destinadas aos países do Golfo.

A medida afeta rotas para Bahrein, Iraque, Catar e Kuwait, além de algumas áreas dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita.

Somente alguns portos permanecem acessíveis sem a necessidade de atravessar o Estreito de Ormuz, como Jidá, localizado no Mar Vermelho, e os portos emiradenses de Khor Fakkan e Fujairah, que ficam voltados para o Golfo de Omã.

A decisão da Cosco acompanha iniciativas semelhantes de outras grandes empresas do setor marítimo, como Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd, que também interromperam suas operações na região por causa dos riscos gerados pelos combates.

Seguradoras discutem apoio ao transporte

Diante da escalada das tensões, duas das maiores corretoras de seguros do mundo, Marsh e Aon, anunciaram negociações com o governo dos Estados Unidos para criar um plano que ajude a garantir cobertura para navios-tanque que ainda precisem atravessar o estreito.

Na terça-feira, o presidente Donald Trump afirmou que a US International Development Finance Corporation (DFC) poderá oferecer seguros com preços considerados acessíveis, com o objetivo de preservar o fluxo de mercadorias na região do Golfo.

Aviação também sofre impactos

O setor aéreo também enfrenta consequências significativas. Desde o início dos combates, mais de 20 mil voos com destino ou origem em grandes aeroportos do Oriente Médio foram cancelados.

A Emirates, maior companhia aérea internacional do mundo, estendeu a suspensão de suas operações para Dubai até o final de sábado, completando uma semana desde o início dos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Já a Qatar Airways prolongou a interrupção de voos até sexta-feira.

Dos 36 mil voos programados para a região do Oriente Médio desde 28 de fevereiro, mais da metade foi cancelada, o que representa cerca de 4,4 milhões de assentos.

Com isso, problemas financeiros e operacionais aumentam, enquanto milhares de passageiros permanecem retidos em aeroportos do Golfo ou precisam recorrer a rotas alternativas, geralmente mais longas e caras, para chegar aos seus destinos.

O que é o Estreito de Ormuz?

No Oriente Médio, o Estreito de Ormuz está situado na entrada do Golfo Pérsico, entre Omã, localizado na Península Arábica e o Irã. É uma das principais rotas de comércio e, portanto, trata-se de uma via marítima estratégica por onde transita mais de 33% do petróleo mundial e 20% do transporte marítimo mundial.

Por isso, qualquer coisa que aconteça por ali reflete no preço da gasolina e na economia do mundo todo. De pequena extensão, tem 54 km de largura mínima e seu trecho mais largo não passa de 100 km.

Para alguns, Estreito de Ormuz é assim chamado pois, deriva do nome do Deus Persa Ormoz e para outros historiadores e linguistas o nome é oriundo de uma palavra persa local chamada Hur-mogh, que significa Tamareira.

Para ilustrar o Estreito de Ormuz:

Estreito de Ormuz

Novo Processo de Exportação: O que é?

Atualmente, existem diferentes frentes de trabalho dentro do Programa Portal Único, envolvendo todo o governo brasileiro e contando com apoio e participação do setor privado. 

Dentre essas iniciativas, merece destaque o desenvolvimento do Novo Processo de Exportação, concluído em 2016. Esse trabalho engloba o mapeamento dos processos atuais de exportação e a identificação de necessidades dos intervenientes públicos e privados para a criação de um fluxo contínuo de informações por meio do Portal Único.

Ou seja, podemos concluir que o Novo Processo de Exportação (NPE) promove um fluxo de informações mais eficiente e integração entre os intervenientes do comércio exterior públicos e privados

Sua implementação se deu junto ao Portal Único do Comércio Exterior, Siscomex, pela Receita Federal Brasileira em conjunto ao SECEX e desde então vem otimizando os processos de comércio exterior, seja diminuindo o tempo necessário entre as etapas, como também reduzindo custos inerentes às operações, o que aumenta a competitividade brasileira frente ao mercado externo.

O que é o Siscomex?

SISCOMEX é a sigla de Sistema Integrado de Comércio Exterior - é um instrumento informatizado, por meio do qual é exercido o controle governamental do comércio exterior brasileiro.

O Sistema entrou em operação em 1993 com o módulo de Exportação e, em 1997, para as importações. Em 2014 foi lançado o Portal Único de Comércio Exterior.

Sem dúvida o Brasil inovou ao criar um fluxo único de informações na década de 90. Entretanto uma nova revisão se faz necessária atualmente. Dessa forma, desde 2014 iniciou-se o projeto do Portal Único de Comércio Exterior.

Comércio Exterior o que é?

Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles engloba uma série de procedimentos necessários para a sua execução.

O Comércio Exterior, aplicado carinhosamente como Comex, compreende vários termos, regras e normas nacionais das transações.

Estas regras são de âmbito nacional, criadas para disciplinar  e orientar tudo o que diz respeito à entrada no país de mercadorias procedentes do exterior, no caso quando existe uma importação e a saída de mercadorias do território nacional, quando é uma exportação.

O que é Logística Internacional?

Logística Internacional é uma ferramenta fundamental para a expansão do comércio exterior, e deve ser utilizada de forma estratégica para diferencial competitivo nas negociações internacionais.

globalização tem tornado as empresas cada vez mais competitivas e com conceitos modernos aos seus procedimentos, negócios e produtos. Esse processo está integralmente ligado aos processos de compra, armazenagem e distribuição das mercadorias.

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O Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex é um instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior.

Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles, engloba uma série de procedimentos.

Logística internacional é o conjunto de atividades de planejamento, execução e controle do fluxo de mercadorias e informações entre diferentes países. Ela abrange desde a movimentação de matérias-primas até a entrega final do produto, incluindo transporte

O Estreito de Ormuz está situado na entrada do Golfo Pérsico, entre Omã, localizado na Península Arábica e o Irã. É uma das principais rotas de comércio e, portanto, trata-se de uma via marítima estratégica.

O Novo Processo de Exportação (NPE) promove um fluxo de informações mais eficiente e integração entre os intervenientes do comércio exterior públicos e privados.

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