Oceanbird: o navio cargueiro movido a vento

Um consórcio sueco anunciou que pretende começar a operar no final de 2024 o Oceanbird, um navio cargueiro movido a vento (energia eólica). Essa é mais uma iniciativa no sentido de reduzir a poluição causada pelos navios cargueiros. Vamos conhecer um pouco mais dessa grande iniciativa? ?

Das velas aos combustíveis fósseis

Depois que os grandes barcos a vela perderam sua onipotência, substituídos pelo motor a vapor há quase 200 anos, os mares perderam a beleza das velas e os navios começaram a ser movidos a combustíveis fósseis. Dessa forma, desde a primeira parte do século XX, a navegação marítima comercial passou gradualmente a se adaptar ao motor de combustão interna, substituindo o carvão, que era o combustível dominante na época. 

Atualmente, o combustível utilizado pelos navios comerciais do mundo é formado por um mix de derivados do petróleo chamado de óleo combustível, ou bunker oil. É uma mistura de óleo diesel com óleos residuais pesados da destilação do petróleo bruto, que emite óxidos de enxofre como subproduto da sua combustão no motor. 

Um dos problemas do uso abundante do óleo combustível no mar são os altos índices de emissão dos óxidos de enxofre. Esses gases poluentes causam danos respiratórios à saúde e contribuem para formar a chuva ácida quando em grande concentração, além de favorecer a acidificação dos oceanos.

A Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (MARPOL)

A Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (MARPOL) é a principal convenção internacional que cobre a prevenção da poluição do meio ambiente marinho por navios por causas operacionais ou acidentais.

A Convenção MARPOL foi adotada em 1973 na Organização Marítima Internacional (IMO). O Protocolo de 1978 foi adotado em resposta a uma série de acidentes com petroleiros em 1976-1977. Como a Convenção MARPOL de 1973 ainda não havia entrado em vigor, o Protocolo MARPOL de 1978 absorveu a Convenção primária. O instrumento combinado entrou em vigor em 1983. Em 1997, foi adotado um Protocolo para emendar a Convenção e um novo Anexo VI foi adicionado, que entrou em vigor em 2005. A MARPOL vem sendo atualizada por emendas ao longo dos anos.

O Brasil, assim como outras nações que representam juntas quase a totalidade do comércio mundial de cargas marítimas, são signatários da Convenção MARPOL. A Convenção inclui regulamentos que visam prevenir e minimizar a poluição dos navios – tanto a poluição acidental quanto a proveniente de operações de rotina – e atualmente inclui seis Anexos técnicos. Áreas especiais com controles rígidos sobre descargas operacionais estão incluídas na maioria dos anexos.

Um dos objetivos declarados da Convenção MARPOL é a preservação do meio marinho através da completa eliminação da poluição por hidrocarbonetos e outras substâncias nocivas, além da minimização da descarga acidental de tais substâncias.

A IMO 2020

Em vigor desde primeiro de janeiro de 2020, a IMO 2020, determina que a emissão de dióxido de enxofre, feita por navios, deve ser reduzida de 3,5% para 0,5%. Essa nova regra reduzirá significativamente as emissões nocivas de enxofre, uma modificação que visa o futuro do planeta, favorecendo o meio ambiente e a saúde das populações, em especial as que vivem próximas a portos e costas.

Segundo a IMO, essa nova regra reduzirá a emissão de enxofre em 77%, equivalente a uma redução anual de aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de dióxido de enxofre. Ademais, as partículas nocivas que são formadas quando ocorre a queima de combustível dos navios será drasticamente reduzida.

Aqui no Brasil a ANP já aplica a regra da IMO 2020 desde maio/2019, através da Resolução ANP nº 789/19. Essa norma determina a redução do limite máximo do teor de enxofre dos óleos combustíveis marítimos para as embarcações que não dispuserem de sistema de limpeza de gases de escape.

Há três opções principais para resolver o problema da poluição provocada pelos navios cargueiros, substituindo o óleo combustível no curto prazo: 

  • tratamento para baixo teor de enxofre, através da utilização de sistema de limpeza de gases de escape;
  • uso direto de óleo diesel marítimo, com emissão de enxofre de 0,1% e;
  • uso de combustíveis alternativos, como o gás natural (GNL) e metanol.

As duas primeiras opções esbarram no alto custo, tanto que a principal resposta para os navios utilizados nas principais rotas e portos do mundo é a adoção de GNL como combustível, pois tem menor custo que o óleo diesel e a manutenção dos motores é mais barata. Quanto maior o navio e a distância navegada, maior a vantagem do GNL sobre o diesel e o óleo combustível tratado.

Oceanbird: o navio cargueiro movido a vento

Um consórcio sueco liderado pela Wallenius Marine, desenvolveu o Oceanbird, um navio cargueiro transatlântico para veículos movido a energia eólica (Wind Powered Car Carrier – wPCC). O ‘Pássaro do Oceano’, em tradução livre, tem um conjunto de cinco velas de aço que mais se parecem com as asas de um avião. Quando içadas, as velas alcançam uma altura de até 105 metros acima do nível do mar e são utilizadas para capturar a força do vento e impulsionar o navio no oceano.

O uso do vento pode reduzir em 90% o consumo de combustível para transportar uma carga pelo mar. Há ainda um motor à combustão para auxiliar principalmente nas manobras do Oceanbird nos portos.

?? Por falar em portos, confira nossos artigos: Principais Portos da Europa e Portos Brasileiros: Quais os principais 

Podemos dizer que será uma variante futurista dos velozes clippers que singraram os mares do planeta em meados do século XIX. Medindo 200 metros de comprimento e 45 metros de largura, o Oceanbird é um cargueiro voltado especificamente para o transporte de carros, caminhões e outros tipos de veículos – uma classe de navio conhecida pela sigla PCTC (pure car truck carrier). Quando ficar pronto, ele terá capacidade de transportar até 7.000 automóveis em seu compartimento de carga.

A expectativa do consórcio responsável pelo projeto almeja entregar a primeira unidade do navio em 2024. As encomendas já poderão ser realizadas a partir de 2021, segundo a estimativa dos responsáveis. A iniciativa conta ainda com o financiamento do governo sueco, que investiu 27 milhões de coroas suecas no desenvolvimento do navio (aproximadamente 16,4 milhões de reais).

O consórcio escandinavo afirma que o Oceanbird realizará a travessia do Atlântico Norte em cerca de 12 dias, a uma velocidade de dez nós (18,5 km/h), contra os atuais 08 dias feitos por navios convencionais. Contudo, há uma vantagem irrefutável para a proteção do meio ambiente: o Oceanbird emitirá menos 90% de dióxido de carbono do que um cargueiro convencional.

E ai, gostou deste artigo? Então se inscreva no nosso blog e fique por dentro de mais notícias sobre exportação, importação e drawback. ?

Resumo

Sinara Bueno

Despachante Aduaneira, formada em Comércio Exterior e empreendedora. Apaixonada por criar e inovar no Comex! Trabalhou na área de importação e exportação de indústrias, consultorias de comércio exterior e, nos últimos anos, tem se dedicado aos sistemas para comex. É co-founder da Fazcomex Tecnologia para comércio exterior.

Conheça as 7 novidades do Novo Processo de Importação