por Leandro Sprenger

24 Apr, 2026

Conflito no Oriente Médio encarece fertilizantes e pressiona o agronegócio do Brasil: saiba mais sobre

As consequências da guerra no Oriente Médio para os mercados vão muito além do setor energético. A crise também afeta o abastecimento de fertilizantes, colocando pressão sobre o agronegócio mundial e trazendo reflexos diretos para as colheitas brasileiras. Com o agravamento das tensões no último fim de semana, cresce novamente o receio de que a instabilidade se intensifique.

A área em conflito responde por aproximadamente 20% da oferta global de insumos químicos utilizados na agricultura, o que representa um desafio significativo para países dependentes de importações.

No caso do Brasil, entre 85% e 90% dos fertilizantes consumidos vêm do exterior, conforme estimativas de especialistas, o que levanta preocupações sobre o aumento dos preços dos alimentos. Além disso, os produtores já precisam adquirir os insumos para o plantio previsto para o segundo semestre.

Segundo Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, o efeito imediato no agronegócio brasileiro ocorre principalmente pelo encarecimento dos custos. Embora exista a possibilidade de buscar novos fornecedores, essa alternativa é limitada no curto prazo, já que o mercado global de fertilizantes depende de cadeias logísticas complexas.

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Confira os seguintes tópicos:

  • Forte dependência de fertilizantes
  • Novos fornecedores e barreiras comerciais
  • Pressão nos custos e alta nos alimentos
  • Desafios logísticos e risco de escassez
  • O que é o Siscomex?
  • Comércio Exterior o que é?
  • O que é Logística Internacional?

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Irã Estreito Ormuz

Forte dependência de fertilizantes

O destaque do Oriente Médio na produção mundial de fertilizantes, como ureia, enxofre e amônia, está ligado à grande disponibilidade e ao baixo custo do gás natural, principal matéria-prima utilizada.

Por meio de processos químicos, o gás natural é transformado: suas moléculas são quebradas para liberar hidrogênio, que depois é combinado com nitrogênio retirado do ar, sob alta pressão, formando a amônia. Esse composto serve como base para a produção de ureia sólida.

Como a região concentra algumas das maiores reservas de gás natural do mundo, consegue produzir esses insumos em larga escala e com custos reduzidos.

Já no Brasil, o alto custo de extração do gás natural levou ao encerramento de diversas indústrias nacionais de fertilizantes, explica Marcello Brito, diretor da FDC-AgroAmbiental.

Pressão nos custos e alta nos alimentos

O possível bloqueio do Estreito de Ormuz compromete o fluxo de fertilizantes, e o setor agrícola acompanha atentamente o calendário.

De acordo com Brito, caso a passagem seja reaberta em maio, haverá aumento nos custos e elevação de preços na safra do segundo semestre, mas sem grandes riscos de desabastecimento. Porém, se a situação se prolongar, além da alta de preços, pode haver redução no volume disponível.

Mesmo que outros países tentem suprir a demanda, isso não acontecerá com a mesma rapidez nem com os mesmos custos anteriores. Assim, a pressão inflacionária sobre os alimentos deve persistir por meses, mesmo com o fim do conflito, até que os fluxos comerciais sejam normalizados, o que pode levar bastante tempo.

Produtos como soja, milho e açúcar tendem a ficar mais caros. No entanto, o custo de produção cresce em ritmo mais acelerado do que os preços de venda, reduzindo as margens de lucro dos produtores.

Essa situação já é percebida no mercado financeiro. Bruno Fonseca, analista de fertilizantes do Rabobank Brasil, explica que o índice de poder de compra dos produtores vem se deteriorando.

O aumento nos preços dos insumos, especialmente ureia e fósforo, não tem sido acompanhado pela valorização das commodities, o que impacta diretamente agricultores, especialmente os produtores de milho.

Novos fornecedores e barreiras comerciais

Diante desse cenário, o Brasil buscou diversificar seus fornecedores, mas encontra dificuldades em um mercado já pressionado. Após o início da guerra na Ucrânia, o país conseguiu acessar novas fontes, e esses canais ainda estão disponíveis. No entanto, com a oferta global reduzida, eles se tornam ainda mais essenciais.

Apesar disso, no curto prazo, há poucas alternativas além de importar pelos preços atuais. A situação se complica porque outros países também adotam medidas protecionistas. A China, por exemplo, já restringe exportações de fertilizantes para garantir o abastecimento interno.

Esse movimento reforça que os impactos são globais e atingem todos os países de forma semelhante. Dados recentes da balança comercial mostram que as exportações brasileiras de fertilizantes químicos caíram 17,25% no trimestre encerrado em março de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.

Mesmo que o conflito termine rapidamente, parte do aumento de preços já é inevitável, impulsionada pelo encarecimento logístico e pela pressão inflacionária imediata. Ou seja, os custos já foram impactados desde o início da crise.

Desafios logísticos e risco de escassez

Ainda que as rotas marítimas sejam totalmente reabertas em breve, os danos estruturais nas áreas afetadas devem levar anos para serem reparados, comprometendo a oferta global.

Instalações de produção e distribuição de petróleo e gás foram danificadas ou destruídas, e sua reconstrução exige tempo. Um exemplo relevante é uma jazida de gás natural no Golfo Pérsico, compartilhada entre Irã e Catar, cuja recuperação pode levar de 3 a 5 anos. Mesmo com o fim imediato do conflito, os efeitos sobre os preços continuarão sendo sentidos.

Outro ponto importante é que o comércio internacional não reage na mesma velocidade que decisões políticas. Armadores tendem a liberar navios apenas quando houver total segurança na região. Além disso, há toda a complexidade de retirar embarcações já carregadas e organizar novos envios.

A logística envolve várias etapas e pode levar meses: desde o embarque no Oriente Médio até a chegada aos portos brasileiros, como Santos ou Paranaguá, e o transporte terrestre até o destino final.

Diante disso, não há expectativa de normalização rápida no abastecimento global, mantendo o cenário de incerteza para o agronegócio.

O que é o Siscomex?

SISCOMEX é a sigla de Sistema Integrado de Comércio Exterior - é um instrumento informatizado, por meio do qual é exercido o controle governamental do comércio exterior brasileiro.

O Sistema entrou em operação em 1993 com o módulo de Exportação e, em 1997, para as importações. Em 2014 foi lançado o Portal Único de Comércio Exterior.

Sem dúvida o Brasil inovou ao criar um fluxo único de informações na década de 90. Entretanto uma nova revisão se faz necessária atualmente. Dessa forma, desde 2014 iniciou-se o projeto do Portal Único de Comércio Exterior.

Comércio Exterior o que é?

Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles engloba uma série de procedimentos necessários para a sua execução.

O Comércio Exterior, aplicado carinhosamente como Comex, compreende vários termos, regras e normas nacionais das transações.

Estas regras são de âmbito nacional, criadas para disciplinar  e orientar tudo o que diz respeito à entrada no país de mercadorias procedentes do exterior, no caso quando existe uma importação e a saída de mercadorias do território nacional, quando é uma exportação.

O que é Logística Internacional?

Logística Internacional é uma ferramenta fundamental para a expansão do comércio exterior, e deve ser utilizada de forma estratégica para diferencial competitivo nas negociações internacionais.

globalização tem tornado as empresas cada vez mais competitivas e com conceitos modernos aos seus procedimentos, negócios e produtos. Esse processo está integralmente ligado aos processos de compra, armazenagem e distribuição das mercadorias.

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O Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex é um instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior.

Comércio exterior é a troca de produtos ou serviços entre um país e outro. Quando falando de Compra de produtos, é a Importação e quando falamos em vendas de produtos, é a exportação, cada um deles, engloba uma série de procedimentos.

Logística internacional é o conjunto de atividades de planejamento, execução e controle do fluxo de mercadorias e informações entre diferentes países. Ela abrange desde a movimentação de matérias-primas até a entrega final do produto, incluindo transporte

O Estreito de Ormuz está situado na entrada do Golfo Pérsico, entre Omã, localizado na Península Arábica e o Irã. É uma das principais rotas de comércio e, portanto, trata-se de uma via marítima estratégica.

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